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Polícia espanhola prende Jonathan Andic acusado da morte do pai, fundador da Mango
Herdeiro do empresário passou de testemunha a suspeito do caso em outubro passado.
A polícia catalã prendeu Jonathan Andic esta terça-feira, acusado de assassinar o pai, o empresário e fundador da Mango, Isak Andic, a 14 de dezembro de 2024, na montanha de Montserrat, confirmaram à RTVE fontes da investigação.
O detido estava esta manhã a ser transportado para os tribunais de Martorell para prestar declarações.
Foi em outubro passado que se confirmou que a polícia catalã, que inicialmente tinha avaliado a hipótese de um acidente, estava a investigar a morte de Andic como um possível homicídio, tendo o seu herdeiro passado de testemunha a investigado.
Jonathan Andic foi a única pessoa que testemunhou o alegado acidente na montanha.
Os dois estavam a fazer uma caminhada perto das grutas de Salnitre, em Collbató, quando Isak caiu de um penhasco de 150 metros de altura, tendo morte imediata. O filho afirmou ter ouvido um deslizamento, mas insistiu que não viu nada, porque estava alguns passos à frente do pai. Foi ele que alertou os serviços de emergência.
Mas a polícia catalã acabou por encontrar contradições no seu testemunho: "a testemunha contradizia-se, deixava zonas cinzentas e descrevia factos que não podiam corresponder" às conclusões da investigação, segundo a agência AFP. Estefania Knuth, jogadora profissional de golfe e companheira de Isak Andik, comentou com as autoridades "a má relação entre pai e filho".Revolução na investigaçãoO magistrado do caso, do Tribunal de Instrução número 5 de Martorell, tinha encerrado o inquérito semanas após a morte, mas reabriu-o em março de 2025.
Isak era um dos principais acionistas da cadeia de lojas de moda Mango e presidente não executivo. Nasceu em 1953 em Istambul, na Turquia, no seio de uma família judia de origem sefardita, e mudou-se para a Catalunha aos 14 anos, onde começou a desenvolver uma aptidão inata para o comércio.
Aos 17 anos, já vendia roupa e sapatos em feiras da ladra e, mais tarde, abriu várias lojas de ganga e dedicou-se à moda sazonal.
Quarenta anos após a abertura da primeira loja, Andic ocupava o quinto lugar na lista da Forbes das maiores fortunas de Espanha, com um património líquido estimado em 4,5 mil milhões de euros.
Andic controlava o negócio através de uma sociedade gestora de participações sociais que incluía também os seus três filhos: Jonathan, Judith e Sarah.
"É com profundo pesar que anunciamos o falecimento inesperado de Isak Andic, o nosso presidente não executivo e fundador da Mango, num acidente este sábado", afirmou então o CEO da Mango, Toni Ruiz, em comunicado, ao tomar conhecimento da morte em dezembro de 2024.
"Isak foi um exemplo para todos nós. Dedicou a vida ao projeto Mango, deixando uma marca indelével graças à visão estratégica, liderança inspiradora e ao compromisso inabalável com os valores que ele próprio imprimiu à nossa empresa", acrescentou Ruiz, que garantiu que "a melhor homenagem" que se poderia prestar ao empresário era "assegurar que a Mango continuava a ser o projeto a que Isak aspirava e do qual se orgulharia".
RTVE.es / 19 maio 2026 08:30 GMT+1
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP